Fortaleza Sao Sebastiao

Fortaleza de S. Sebastiao

Situa-se na ponta nordeste da Ilha e tem 780m de perimetro. Foi o Vice –Rei da índia, Dom João de Castro, que, em 1545, escolheu o  local e deu ordem para que fosse construida, começando-se a junta as pedras.

Foto antiga

É costume afirma-se que as pedras da Fortaleza vieram de Portugal ou entao da índia. Mas basta olhar de perto o grandioso monumento para se concluir que as pedras, pelo menos as que estão à vista, são iguias às que abundam na Ilha.

Ainda hoje a Ilha não é plana. Por restos de altos rochosos que ainda existem, como aquele em que assenta a Igreja da Saúde,sabemos que havia elevações que foram destruidas para fornecer a pedra às construções, feitas no decorres dos séculos.

Ao ver as imponências da Fortaleza e não ter dados históricos sobre a sua construção, o povo criou a lenda de que aquilo não é obra de homens, mas de um fantasma chamado Muanante. Esta lenda espalhou-se por toda a provincia de Nampula.

A realidade é que todas aquelas pedras foram levadas ao sitio onde hoje vemos à custo, suor e sangue dos escravos. O mesmo se diga de todos os outros edificios da Ilha. Em 6 de Novembro de 1829, num oficio para o Governo de Lisboa, o Governador-Geral de Moçambique escrevia, da Ilha, o seguinte:«Não hà carros, nem arados nem outros utencilios de lavrar, nem aqueles que servem para conduções de generos materiais pesados: pelo que todos edificios tanto reais como particulares que se constroem, vão muito devagar e com muitas despesas,  pois a pedra, a cal, a areia, etc…, tudo é conduzido à cabeça do escravo.» DSC05589

As obras da actual Fortaleza ainda não estavam concluidas aquando do cerco dos Holandeses em 1607 e 1608. Mas foram –no pouco depois em 1620.

Devido à sua situação de previlegiada de base do comércio de escravos, ouro e marfim, a Ilha era cobiçada pelos Holandeses, Árabes, Turcos, Franceses, etc. Os Holandeses envadiram-na com força em 1607. Os Portugueses com seus escravos refugiaram-se na Fortaleza. Atearam fogo às casa, a maioria delas cobertas a macute, mas forte chuvada apagou-lhes o fogo. Os Holandeses aquartelados no Convento de S. Domingos e na Ermida de S. Gabriel durante 2 meses bombardearam duramente a Fortaleza, do lado do campo de S. Gabriel. Os Portugueses resistiram desesperadamente, e o que ajudou foi terem conseguido que as populações do continente deixassem de fornecer viveres aos holandeses. Estes sem viveres resolveram então ir às Ilhas Comores reabastecerem-se, mas cortaram todas as palmeiras que na altura abundavam na Ilha, e incendiaram  todas as casas, as Igrejas e os conventos.

Em 28 de Julho de 1608, os Holandeses voltaram envadir a Ilha, enquanto os portugueses se refugiavam na fortaleza como no ano anterior. Desta vez os Portugueses não tiveram tempo de recolher os seus bens na Fortaleza. Um Jovem Holandese que no 1º  cerco se entregara aos Portugueses, no 2º cerco saiu da Fortaleza e levou aos Holandeses todas informações referentes à situação dos Portugueses.

Os Holandeses instalados nas ruinas do Convento de S. Domingos, começaram bombardear as muralhas da fortaleza, numa média de trezentos tiros por dia. Logo no primeiro dia, um principio de incêndio na casa de pólvora matou 19 homens. O Comandante, D. Estevão de Ataide, com mais alguns homens, conseguiu apagar o fogo, impedindo assim que a fortaleza fosse pelos ares e a Ilha ficasse em poder dos Holandeses.

Em 19 de Agosto de 1608 os Holandeses deixam a Ilha, depois de terem incendiado o que ainda restava do primeiro incendio. Diz-se que na altura tudo era cinza. Os presioneiros Portugueses foram desembarcados na Ilha de Goa.

Passados anos em 1662, uma forte esquadra Holandesa pretendia atacar a Ilha, mas os ventos contrarios não permitiram a entrada no Porto. Os Árabes, em 1669 e em 1704 tentaram atacar a Ilha mas sem resultado. Os franceses entre 1793 e 1797 também atacaram, mas ligeiramente. Em 1810 a Fortaleza estava preparada para um novo ataque dos franceses que não se concretizou.

A última vez que a fortaleza estve em pé de guerra, foi  em 1828 quando se temia um atacaque dos Árabes de Mascate.

As muralhas baixas que há fora da Fortaleza, do lado do canal, foram feitas depois de se ter verificado aquando dos cercos dos Holandeses, que os tiro dos canhões colocados, no cimo das muralhas  não impediam a entrada dos barcos no Porto. Os tiro mandados de canhões postos em cima dessas muralhas rasteriras, atingiram com certeza os barcos inimigos  que tentasse atravessar o canal.

Dentro da Fortaleza está a Igreja de S. Sebastião que durante seculos foi a Sede da Paróquia militar.

Os Governadores Gerais residiam na Fortaleza ate mudarem,, em 1763, para o Palácio de S. Paulo.

Durante muitos anos, a fortaleza serviu de “Depósito de senteciandos”, onde cumpriam as penas os sentenciados a degredo, vindos de Portugal e das colónias. Normalmente depois das penas cumpridas, esses  sentenciados espalhavam-se por todo terretório Moçambicano.

Fora da Fortaleza, do lado do nascente, há  um terreno que serviu de campo de fuzilamento e de cemitério dos sentenciados por tribunal militar.

A uns duzentos metros da Fortaleza, onde hoje se encontra o campo de futebol, os mapas dos seculos XVII e XVIII assinalam a Polé ou estrapada, especie de roldana para tortura os sentenciados. O paciente era amarrado e levantado ao ar, depois deixavam-no cair violentamente sem chegar a tocar no chão. Quando na década de 30, fizeram o campo de futebol, apareceram lá diversas ossadas, inclusivamente algumas com pulseiras de mulheres.

Em 21 de Setembro de 1903 houve uma explosão no Paiol da Polvóra. Parte da murralha de nordeste e leste foi distruida. Morreram 22 homens e uma mulher ficaram feridos  99 pessoas , algumas das quais gravemente. Os estragos materias foram reparados em fins de 1904.

De todos os monumento coloniais existentes em terretório, a Fortaleza da Ilha foi aquela que mais contribuiu para que a dominação Portuguesa em Moçambique se prolongasse pelo espaço de quase cinco séculos.